O potencial dos turistas portugueses residentes no estrangeiro
O primeiro dia de trabalhos do VIII Encontro Internacional de Turismo (EIT) decorreu no Hotel Ritz, em Lisboa. As estratégias para a consolidação do turismo, os acontecimentos de 11 de Setembro e a sua repercussão no sector, o futuro da TAP-Air Portugal e a entrada da moeda única europeia foram alguns dos temas debatidos no dia 8 de Novembro, pelos cerca de 200 agentes de viagens portugueses residentes no estrangeiro e as individualidades ligadas ao turismo, que participaram do Encontro.
A sessão de abertura do VIII EIT contou com a presença do Presidente do Conselho de Administração do ICEP-Portugal, Luis Neto, do Director Geral de Turismo, José Sancho Silva, em representação do secretário de Estado do Turismo, de Jamila Madeira, deputada PS e presidente da Sub-Comissão de Turismo da Assembleia da República, de Carlos Luis, deputado PS eleito pela Emigração, de Dionísio Barum, Director Comercial da TAP-Air Portugal e de António Mota, Director Internacional do BCP.
Luis Neto começou por referiu ser uma honra participar no VIII EIT, um evento que já se assumiu como um “significativo fórum de discussão e debate de ideias no âmbito do turismo”. Para o presidente do Conselho de Administração do Icep-Portugal, é fundamental que as entidades públicas “com algumas responsabilidades no domínio da internacionalização económica de Portugal” não desvalorizem o mercado turístico dos portugueses residentes no estrangeiro, já que representa uma ligação emocional, cultural e sentimental com os produtos de origem nacional. Um potencial que Luis Neto considera estar a ser “sub-aproveitado” quer pelo sector público, quer pelo privado, e que levou o Icep a avançar com uma campanha de promoção turística junto desse mercado. ” Este projecto, fundamentado na análise da comunidade emigrante e luso-descendentes é de grande oportunidade, pois identifica, para além dos genéricos da actividade turística, factores específicos do potencial deste segmento de mercado – a sua evolução qualitativa, pelo maior nível cultural e de habilitações literárias; o elevado poder de compra, já que cultivam a capacidade de poupança; e uma disposição para o descobrir Portugal, não se limitando à terra natal”, revelou.
Luis Neto referiu ainda que estes portugueses e luso-descendentes representam uma oportunidade de diversificação do turismo português, já que viajam ao longo do ano, dispersam-se pelo país com estadias médias de 17 dias. É ainda um mercado que, tendo em conta os acontecimentos de 11 de Setembro e pelas ligações afectivas ao país, “se pode assumir como vector mais estável, mais fidelizado “.
Uma fidelidade que para Jamila Madeira, deputada PS e presidente da Sub-Comissão de Turismo da Assembleia da República deve gerar criação de parcerias que possam responder a uma questão de fundo: “de que forma nós podemos efectivamente difundir o mercado de turismo ao nível dos portugueses residentes no estrangeiro, de que forma nós podemos multiplicar isto e tornar num mercado potencial hoje e no futuro, aquilo representam os portugueses residentes no estrangeiro”. Ao sublinhar que “o envolvimento das comunidades portuguesas na realidade económica, científica e social de Portugal é evidente”, Jamila Madeira afirmou que os agentes de viagens que residem no estrangeiro não podem ser deixados à margem dessas parcerias. “É evidente que vocês estão e estarão ao nosso lado. Por isso, vão ser esse instrumentos, conhecer o que Portugal tem para oferecer, conhecer e estar permanentemente actualizados e ter à vossa disponibilidade mecanismos para essa actualização, no sentido de, junto das gerações de portugueses hoje residentes no estrangeiro e aquelas que o futuro nos trará, conseguir que Portugal seja e continue a ser, um destino preferencial e consigamos que esses turistas especiais possam vir a Portugal, possam gostar de Portugal, possam ajudar-nos a serem efectivamente os nosso embaixadores por excelência de Portugal no mundo”.

